La révolte des noirs musulmans à Salvador de Bahia en 1835

 

Révolte des Zanj d'Irak au IIIe/IXe siécl

 

Un CALENDRIER DES REBELLIONS DES ESCLAVES NOIRS EN AMERIQUE LATINE ET DANS LES CARAÏBES entre le 16 ème et le 19ième siècle

 

O estandarte da melhor produção do saber humano foi, pela primeira vez erguido, na África. Mais precisamente, foi no Egito Antigo que o homem negro deu a prova de que a ciência não é propriedade de nenhuma raça, nem de nenhum continente. As pesquisas do sábio senegalês Cheikh Anta Diop permitiram estabelecer o fato científico da unidade da espécie humana.

A História nos ensina que a ciência e a técnica migraram da África para o continente europeu. Ao se tornar o pólo mundial do domínio do saber e do saber-fazer, a Europa se impôs como o centro da criatividade humana, mas não como o centro do saber-ser.
Isso porque o saber-ser faz parte da Cultura que é, por excelência, o domínio no qual o africano conseguiu desenvolver uma resistência, que lhe permitiu preservar a identidade e o potencial criativo contidos na sua

Manifesto da Aliança Panafricanista

ontologia. A ontologia do pensamento negro-africano é caracterizada pela sua natureza fisicista, tal como demonstrou o doutor em Direito Abdoulaye Wade, atual presidente do Senegal. A característica principal do pensamento negro-africano é que ele inaugura, baseado na intuição e no respeito, a relação existente entre o homem e a natureza, o que explica porque o africano tem muitos trunfos ontológicos ainda não explorados. Esses trunfos constituem, para a África, um potencial de velocidade na busca de atalhos não agressivos para alcançar o nível de desenvolvimento de outros países. A partir de suas brilhantes trajetórias acadêmicas, Abdoulaye Wade, Cheikh Anta Diop e Modibo Diarra comprovaram a pertinência dessa característica fisicista do pensamento negro-africano .

A visão, baseada no mito de Prometeu, de dominação agressiva da natureza permitiu que a Europa se apropriasse, de maneira histórica e determinante, da herança do capital humano universal e a desenvolvesse. A partir desse triunfo ela se auto-atribuiu uma missão civilizadora. Essas foram as condições históricas, a partir das quais a humanidade se viu aprisionada na armadilha de uma globalização irreversível inspirada, unicamente, nos valores desse mito.

Esse processo de unificação dos continentes, que acompanhou a expansão européia, acabou tomando uma direção cujo gerenciamento não havia sido baseado num saber-ser culturalmente compartilhado. A partir de uma desconstrução e de uma integração dos sistemas endógenos subordinados, a expansão conquistadora e unificadora dos outros continentes confrontou-se, em todos os lugares, com resistências. A assimilação e a adaptação foram os únicos modos possíveis de trocas pacíficas e as únicas condições de sobrevivência, permitidas pelo tipo de relação de poder imposto em nome da missão civilizadora.

Nesse contexto dinâmico, a ciência foi instrumentalizada. Para sustentar uma forma de dominação política e econômica, as sociedades foram hierarquizadas. Em seguida, foram indicadas, para as chamadas sociedades primitivas, as etapas que deveriam ultrapassar para chegar a um nível de referência fixado arbitrariamente. Essa construção ideológica gerou “falsidades pseudo-científicas” combatidas hoje em dia por Abdoulaye Wade, no seu livro “Um Destino para a África”. A negação às outras raças da capacidade de auto-administração de seus destinos nasceu daí. Essas falsidades pseudo-científicas produziram visões fatalistas e deformantes do destino dos povos não-europeus. Escolhas derrotistas, como o assistencialismo, foram privilegiadas, em vez das parcerias. Dessas visões, decorreram políticas de adaptação e não de ruptura, tendo as políticas de ruptura sido iniciadas na África, apenas com o fim da colonização. Essas políticas de adaptação foram combatidas, ferozmente, pelos patriarcas fundadores do panafricanismo.

O continente americano, enquanto destino final de populações européias de alto nível científico e intelectual e de populações negras utilizadas pela sua força física, pôde criar as condições para a migração da ciência para seu território. Essa transferência maciça de capital humano de qualidade para um território vasto e rico, explica a superioridade econômica dos Estados Unidos da América.

Ao adotarem uma dinâmica distinta dos modelos de adaptação à ordem eurocentrista, os países asiáticos conseguiram reinventar seus destinos, apoiando-se sobre suas características culturais e morais, o que explica a posição que conquistaram no concerto das nações. De fato, quatro países asiáticos possuem capacidade nuclear;e um dentre eles tem direito de veto na ONU. A Ásia alcançou a Europa e tomou as rédeas de seu destino. Conseguiu conquistar um lugar no mundo.

Somente a África permaneceu como um continente que revela uma grande dificuldade de realizar as rupturas, necessárias para a formulação de alternativas econômicas e políticas. O fosso que a separa dos países asiáticos se aprofundou. Além disso, os tipos de dificuldade de ordem econômica, política e sanitária, que enfrenta hoje, estão em vias de confinar a África à condição de um continente sem inteligência e sem iniciativas. E essa imagem de um continente que permanece à margem da marcha dos outros continentes, em direção a um governo mundial compartilhado, se associa à África irremediavelmente, fazendo-a aparecer, assim, como o único continente que é empurrado para uma posição de inferioridade pelos seus próprios problemas. O grande risco é que ela caia, irreversivelmente, nas profundezas do esquecimento.

Nada mais era necessário para que grandes figuras africanas tomassem consciência e demonstrassem que a África possui recursos intelectuais, espirituais, econômicos e morais que permitem que seus filhos possam tomar iniciativas. Foi assim que nasceu o NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África). Os intelectuais, os cientistas e todos os artistas africanos e da diáspora, podem ficar à margem dessa luta? Claro que não! Eles devem se envolver e contribuir para a construção dos Estados Unidos da África.

O combate por um renascimento africano tem sido permanente e multiforme. Mas, o que faltou até agora, foi a formulação de alternativas econômicas, políticas e científicas capazes de permitir à África vencer os desafios da unidade política e do desenvolvimento. É isso que Abdoulaye Wade propõe, hoje, com o enunciado de uma estratégia para a construção dos Estados Unidos da África, dividida em oito eixos de orientação

Mestre Wade indicou uma via capaz de dar, a todos os negros, a capacidade coletiva e solidária de tomar em suas mãos o destino do continente africano. Ele demonstrou que a África está preparada para se tornar, ainda no terceiro milênio, o que o Egito dos faraós representou para o mundo, ou seja, o novo pólo mundial, onde o saber humano de alto nível, pode se expressar novamente e desenvolver aplicações extraordinárias. Mas, é necessário refletir e criar as condições favoráveis para que isso aconteça. Será suficiente, por exemplo, que o contingente de filhos da África, espalhados por todos os continentes, se una e ofereça seu saber, seu saber-fazer e sua fidelidade à África, como fizeram os judeus, para que esse continente possa se beneficiar do mesmo fenômeno provocado pela transferência do capital humano europeu para a América.

Para dar o exemplo, Mestre Wade está formando o africano do futuro, que permitirá a presença da África nesse grande encontro do dar e receber, anunciado por Senghor. Sob a gestão de Wade, a África do futuro se constrói a partir do pré-escolar até a universidade do futuro africano. As lutas dos patriarcas do panafricanismo já prepararam o terreno. As iniciativas dos líderes políticos atuais, como Abdoulaye Wade, estão em vias de operacionalizar a alternativa africana. As perspectivas de uma reapropriação do destino do continente, pelos filhos da África, já estão desenhadas. Chegou a hora de se criar uma Aliança Panafricanista (A.P.) para preservar a esperança e manter acesa a chama das lutas dos Spartacus africanos.

Com esse propósito, foi criado um Comitê Inicial da A.P..Seus membros já começaram a mobilizar cientistas, intelectuais, políticos e artistas que desejam produzir obras para a promoção dos africanos e de seu continente. Eles querem mostrar a urgência de iniciar a batalha científica e intelectual que permitirá à África ocupar um lugar e assumir seu papel em um Governo mundial compartilhado.

O livro de Abdoulaye Wade intitulado “Um Destino para a África” mostrou os desafios maiores e indicou as respostas. Abriu, enfim, imensas perspectivas para a promoção do gênio africano no concerto das nações. Facilitou, dessa forma, o trabalho de pesquisa e de exploração panafricanista de assuntos e temas que devem ser desenvolvidos. Cabe aos jovens, aos homens e mulheres africanos, a tarefa de empreender esforços para a construção dos Estados Unidos da África.

A Aliança Panafricanista convida mulheres e homens, jovens e adultos para o engajamento nas ações enunciadas no pensamento panafricanista de Wade. A ambição da Aliança é de criar um espaço de reflexão, de ação e de produção de um referencial panafricano para a determinação de um destino para a África.


Africanos da África e da diáspora, venham juntar-se à Aliança Panafricanista!

© - Alliance Panafricaniste



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